Todo dia (mentira, 2 vezes por ano) aparece uns Enzo me perguntando sobre como entrar na gloriosa e caótica área de tecnologia. E o primeiro tropeço já vem na busca no Google: faculdade ou curso online? A dúvida que já derrubou mais carreira promissora do que gambiarra em produção. (E não adianta se esquivar Enzo, a prova é que você veio pelo Google e com essa palavra chave)

Curso online ou Faculdade? A resposta não é preto no branco. Mas já vou resumir pra você minha opinião:

Opte pela faculdade!

A faculdade é o bom e velho caminho tradicional. Aquele que a galera gosta de chamar de "careta" enquanto grava vídeo de 15 segundos achando que vai reinventar a roda. São quatro anos aprendendo de tudo um pouco: programação, banco de dados, redes, arquitetura... tudo que o jovem acha que nunca vai usar até o dia que precisa e... surpresa!

Vivemos num mundo onde empresas parecem um desfile de carnaval de buzzwords: querem especialistas em tudo, mas pagam como se você fosse estagiário com pós-doutorado em JavaScript. Nesse cenário de loucura, a faculdade dá o mínimo de sanidade: ensina base sólida. O tipo de coisa que você não aprende em tutorial de 10 minutos no YouTube.

E o melhor: a faculdade te ensina a pensar. A usar o cérebro. A não acreditar que a Terra é plana porque viu um vídeo com 1 milhão de views.

Flat Earth

Universidades ensinam método científico. Isso mesmo, aquele treco chato que te obriga a testar hipóteses, ler artigo e citar fonte. Pode parecer inútil quando se está só copiando código de Stack Overflow, mas um dia, quando estiver lidando com sistemas que impactam vidas (ou só tentando entender porque o Kafka caiu), você vai agradecer.

Biblioteca

O ChatGPT é ótimo pra fazer o básico, escrever um CRUDzinho maroto ou explicar o que é Docker sem entrar em pânico. Mas quando o assunto exige contexto, conhecimento específico da empresa, ou criar algo novo mesmo... ele te deixa na mão. Não porque é ruim, mas porque ainda não tomamos a pílula vermelha da singularidade.

Cada empresa tem sua maluquice. Sua cultura, sua bagunça, seus sistemas cheios de remendos. Nisso, o conhecimento genérico vira só... genérico. Quem entende isso é você, com formação, base, repertório e um pouco de trauma de projeto que deu errado.

Faculdade é tipo colete salva-vidas: talvez você nunca use, mas quando o barco afundar, vai desejar ter um.

E pra quem acha que é exagero, me escuta: conhecimento é acumulativo. A base que você constrói na graduação vira alicerce pra aprender qualquer nova buzzword que o mercado inventar.

Agora vem a parte polêmica...

Faculdade

A qualidade da formação em xeque

Sim, muitas faculdades estão paradas no tempo. A galera ainda aprende Pascal e faz prova de lógica com papel e caneta. Enquanto isso, o mercado já tá no Kubernetes, DevOps, Microsserviços, GitOps, FinOps e outros termos que mais parecem personagens de anime.

E sempre tem o hipster que grita: "Ah, mas eu leio o blog do Martin Fowler desde 2012". Que bom, campeão. Mas a massa só ouviu falar disso em 2020.

O problema é estrutural. Falta professor, sobra burocracia. O MEC demora uma eternidade pra aprovar mudança curricular. Mas calma, nem tudo está perdido. Porque, mesmo desatualizada, a faculdade ainda entrega algo que tutorial nenhum vai te dar: raciocínio lógico, estrutura, base.

Trabalhar no exterior

Ah, o sonho de ganhar em euro e pagar em real. Quer ir pra fora do país? Ótimo. Mas prepara o diploma, porque sem ele, nem entrevista você consegue. Países sérios (ou pelo menos mais sérios que o nosso) exigem comprovação formal de formação. Não adianta mandar link do seu GitHub estrelado. Quer trampar na Alemanha, Canadá ou Japão? Mostra o canudo.

Laptop e caderno

Cursos online

Aqui entra o pragmatismo. Cursos online são ferramentas excelentes para aprender algo pontual. Quer entender React? Terraform? Fazer um projeto com GraphQL? Ótimo. Tem curso pra tudo, alguns bons, outros só caça-níquel.

Eles são rápidos, diretos, práticos. Mas não constroem base. São pontes pra atravessar um rio, mas se você não tem onde pisar antes, vai se afogar no primeiro bug mais cabeludo.

Também são opção pra quem não tem acesso à faculdade, por questões financeiras ou porque não passou na pública. Aí sim: começa com curso online, entra no mercado e depois corre atrás da graduação. Melhor do que nada.

Pra quem já tem formação em outra área ou perdeu o emprego, curso online é o trampolim. Mas não substitui a graduação. Complementa.

Faculdade ou Curso online?

A resposta que ninguém quer ouvir: os dois. Juntos. Em harmonia. Combinar graduação com cursos online é o melhor dos mundos. Faculdade dá a base, curso online dá o hype. E se você for esperto, faz os dois.

Até porque, hoje em dia, tem faculdade EAD decente. E nem precisa sair de casa. Dá pra estudar o teórico de manhã e à tarde botar a mão na massa num curso online que ensina o que o mercado quer agora.

Resumo

Faculdade ou curso online? Depende. Se você tá começando do zero, vá pra faculdade. Vai demorar mais, mas vai te salvar de muita dor de cabeça.

Se não tem grana, começa com curso online, entra no mercado e depois volta pra faculdade. Mas não ache que um curso de 20 horas vai te fazer especialista em algo. Não vai.

E se já tem formação, use cursos online pra se atualizar. Porque, meu amigo, a tecnologia muda mais rápido que script mal testado em sexta-feira.

Ah, e antes que você ache que faculdade é perda de tempo, lembra: há 10 anos, dev tocar em servidor era piada. Hoje, o dev bom é aquele que sabe mexer em Linux, script de automação e ainda deploya o microserviço sem derrubar o cluster.

No fim, o importante é continuar aprendendo. Com humildade. E fugindo de modinha sem base.

E você, vai encarar qual caminho?